quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O que esperamos do filme nacional de Jaspion no cinema

Jaspion vai ganhar um remake oficial no Brasil (Foto: Divulgação/Sato Company)

Se você é daqueles que esperavam (ou pensaram em) ver uma participação maior de Jaspion no primeiro filme da série Space Squad, uma boa notícia: o maior super-herói japonês no Brasil vai ganhar o seu primeiro filme. E não é uma produção japonesa. Trata-se de um remake oficial e 100% brasileiro. Com produção da Sato Company, o filme tem aval da Toei Company, o estúdio que produziu a série original em 1985. A nota saiu em primeira mão pelo site Omelete na tarde desta quarta (21). Um dia antes da data em que Jaspion e Changeman completam 30 anos de estreia na extinta Manchete. 

Algo inédito e totalmente inesperado. Aliás, esta pode ser a primeira adaptação brasileira de um super-herói japonês do gênero tokusatsu. Nos anos 90, o sr. Nelson Sato, CEO da Sato Company, tinha planos para fazer uma adaptação brasileira de Cybercop, da Toho Company, devido ao grande sucesso na saudosa emissora da família Bloch. Porém o projeto nunca saiu do papel. Seria precursor de Power Rangers no formato de utilização de cenas japonesas e inclusão de atores estrangeiros. Porém não a primeira da história do tokusatsu. O pioneiro foi Godzilla, o Rei dos Monstros. Produção nipo-americana de 1956 que serviu de adaptação do filme original do kaiju da Toho.

É bem verdade que as opiniões estão divididas, mas ainda é cedo pra dizer se o filme irá vingar ou não. Tudo vai depender do conjunto da obra que a Sato irá reunir daqui pra frente. O mínimo que esperamos deste remake - que promete uma repaginação/atualização dos personagens - é uma fidelidade à mitologia do Tarzan Galático e que faça referências aos principais elementos da trama. Mais do que isso, é necessário uma consultoria e trabalho de pessoas que entendam e dominem, nos mínimos detalhes, sobre tokusatsu e saibam com que estão lidando. Seria pedir muito uma direção de Koichi Sakamoto? Quem sabe, mas tem que ter alguém que manje de cenas de ação, tokusatsu e alguém que tenha uma competência próxima a dele. Dependendo da produção, os efeitos especiais tem que ser os melhores possíveis. Seja para maquetes (por que não?) ou algo superior. O clipe "On The Rocks", primeiro single de Ricardo Cruz (da banda JAM Project) pode ser uma forte referência. Desde o local da pedreira até o modelo de sequencias de ação e efeitos especiais. E não menos importante: o fator roteiro. É essencial, ou melhor, primordial que a história tenha coerência e faça uma boa adaptação. Obviamente não dá pra injetar 46 episódios numa película de uma hora e meia ou duas horas. Por isso, personagens importantes e que acrescentam a mitologia sejam bem conduzidos.

O elenco será divulgado em agosto, durante o festival de filmes japoneses. Até lá vamos nos deparar com especulações de todos os tipos enquanto não saem mais informações oficiais. Espera-se que o elenco tenha bons atores. O único palpite que dou é de uma possível participação do sr. Sato e sua filha Jacqueline Sato. Afinal, no passado, o sr. Sato contribuiu com a narração de Cybercop. Já Jacqueline cantou o tema de abertura de Doraemon (a série de 2005) e tem uma carreira de atriz em ascensão.

Não se sabe ainda se esta nova produção terá ou não ligação com a série original. Mas será legal ver uma aventura inédita do Jaspion nas telonas. Este pode ser o primeiro passo para o tokusatsu se destacar mais uma vez para o grande público brasileiro. Ou seja, fora da esfera do fandom.

Atualização

O canal TokuDoc, tocado pelo meu amigo Danilo Modolo, entrou em contato com o sr. Nelson Sato nesta quinta (22) e o mesmo esclareceu, em primeira mão, detalhes sobre o filme de Jaspion. Assista o vídeo extra aqui.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Conspiração e rivalidade fazem de Kamen Rider Build a melhor série dos últimos tempos

O duelo entre Grease e Build (Foto: Divulgação)

Incompreendida algumas vezes, as séries Kamen Rider geram boas (e más) discussões ano após ano. Desde o visual até o roteiro. Apesar dos altos e baixos e a mudança dos tempos, os elementos atuais seguem o legado deixado por Shotaro Ishinomori. E as últimas séries tem surpreendido bastante. A qualidade chegou aos ápice com Kamen Rider Build. Uma série extremamente envolvente, que amarra o espectador desde o inicio e sempre vem um episódio mais espetacular do que o outro.

O episódio exibido nesta semana foi considerado pelo público como o melhor até o momento. Se você acompanha, deve saber que um duelo foi travado entre Sento/Build e Kazumi/Grease. Ambos representando as respectivas regiões de Touto e Hokuto que entraram em guerra. O dilema de Sento, a preocupação de Banjo e a lealdade de Kazumi aos seus companheiros Smash (um deles foi morto) foram pontos que deram um peso importante na batalha decisiva. Batalha essa que é digna de ser comparada a um final.

O escritor Shogo Muto vem realizando um excelente trabalho neste que é o seu primeiro em tokusatsu. A conspiração entre os Primeiros Ministros de Seito, Touto e Hokuto é outro elemento incontestável na trama e deve esquentar ainda com a aparição de Kamen Rider Rogue (Night Rogue?), até então desconhecido. A tendência é que Kamen Rider Build fique cada vez melhor e aumente mais a ansiedade para o fim de semana chegar e roer as unhas. Mais do que isso, é de longe a melhor série tokusatsu da Toei nos últimos 5, 10 anos. Sem mencionar que estamos diante do melhor vilão da franquia até hoje: Blood Stalk.

Kamen Rider Build tem momentos que não dá pra mencionar tudo num post inteiro e quem ainda não começou a acompanhar, nem imagina o potencial da série que pode ser a número um da franquia. Superando até mesmo clássicos como Kamen Rider Black, por exemplo. Sensacional.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Cultura pop sul-coreana é um exemplo de unidade que deveria ser seguido no fandom brasileiro de tokusatsu

A Lenda, um das séries sul-coreanas na TV brasileira

Outro dia eu andava num shopping center e vi um espaço temático totalmente dedicado à cultura pop sul-coreana. Coisas como amostras de K-dramas e o já tradicional K-pop. Incrível como essa cultura ganhou notoriedade em poucos anos. Goste ou não, é um fenômeno e só tem a crescer e conquistar novos adebtos. Seja de séries do gênero, seja do estilo musical.

Na esfera musical, o K-pop conquistou espaço em eventos de cultura pop/geek. Por um lado ganhou evidência, por outro divide espaço com a cultura pop japonesa (animês, cosplays, mangás, etc). Já as séries de drama tem popularidade há longa data no Brasil. Nos últimos anos os fãs só tiveram o que comemorar com a chegada de várias séries licenciadas no Brasil. Além de títulos na Netflix, há um canal oficial de streaming específico para este nicho, o DramaFever (equivalente a uma Chunchyroll para dramas da Coréia do Sul). Isso sem contar com uma faixa dedicada na Rede Brasil. Atualmente a emissora paulista - que exibe os animês Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z em horário nobre e em alta-definição - apresenta a reprise da série Happy Ending, que está em sua reta final. Em fevereiro será substituída por outro drama, A Lenda.

Tudo isso é resultado da união dos próprios fãs que fazem o fenômeno acontecer. Não sei você, mas isso me faz pensar no fandom brasileiro do gênero tokusatsu. Uma parte tem seus público fiel, que realmente valoriza materiais quando vem pra cá, reclamam pouco e são unidos. É o tal do "nicho do nicho". Fora dele não dá pra ver a coisa crescer como deveria. Infelizmente ainda se vê materiais licenciados sendo pirateados, desunião de fãs, falta de informação nas redes sociais, intolerância e até disputas (que só existem na mente de quem se acha que está sendo disputado). Claro que isso não implica ao fandom inteiro, veja bem. Tem muita coisa bacana sendo feita, principalmente na internet e com parcerias sérias.

A coisa vem mudando a passos lentos. Porém está longe de alcançar o mesmo fenômeno construído pelo fandom dos dramas e da música sul-coreana. Falta muita coisa ainda pra engrenagem andar mais rápido, a começar maturidade de algumas cabeças (que já passaram dos 30, diga-se). Talvez uma real ascensão do tokusatsu seja improvável ou anos-luz de acontecer. Porém não impossível. Basta cada um fazer sua parte e entender determinados conceitos.

Que o exemplo dos fãs de K-drama e de K-pop sirva de lição para quem, lamentavelmente, ainda não aprendeu com os nossos queridos heróis japoneses.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Cavaleiros: A Lenda de Fênix representa Ikki com grandiosidade

O Cavaleiro Ikki de Fênix do fan film (Foto: Reprodução)

No último fim de semana saiu no YouTube um fan film baseado em Os Cavaleiros do Zodíaco focado no anti-herói Ikki de Fênix. A Lenda da Fênix é um título que, na primeira impressão, nos faz pensar que poderia se tratar de algo que poderia imaginar a origem de Ikki antes de se tornar o Cavaleiro de Fênix. Porém é uma homenagem que o representou com grandiosidade este grande personagem.

A Lenda de Fênix se passa em algum ponto da saga dos Cavaleiros de Atena onde Ikki visita o túmulo de sua amada Esmeralda. Durante o momento de contrição, ele é surpreendido por Thomas e seus capangas, que o desafiam para uma batalha. Thomas tem uma forte relação com Guilty, o satânico mestre de Ikki que o treinara na Ilha da Rainha da Morte. Por decisão de Ikki (e até por questões técnicas), a batalha contra Thomas é decidida sem o uso da armadura de bronze. Porém, o momento crucial leva os dois a um triste episódio do passado.

Para os padrões, o fan film A Lenda de Fênix foi muito bem feita e percebe-se o cuidado com cada detalhe. O fato de Ikki não ter usado a armadura foi uma decisão acertada, uma vez que isso poderia comprometer a produção por questões técnicas ou mesmo de orçamento. Isso enriqueceu ainda mais o trabalho e deu um tom poético à mini trama. O local poderia lembrar o cenário infernal da Ilha da Rainha da Morte, mas seria exigir demais. Aliás, foi bem propício, já que se tratava do túmulo de alguém muito querida pelo Cavaleiro de Fênix.

Interpretado por atores brasileiros, o fan film conta com elenco de dublagem paulista. Foi convidado especialmente Leonardo Camilo para viver mais uma vez Ikki de Fênix. Flávio Dias (Poseidon na dublagem clássica da Gota Mágica e Sísifo de Sagitário em The Lost Canvas) narrou passagens do início e do final da história e também dublou Guilty nesta versão. Também estiveram Wilken Mazzei (Killa em Dragon Ball Kai) como Thomas e Beatriz Villa (Mei Terumi no game Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4) como Esmeralda. A produção reproduz algumas das BGMs mais marcantes do saudosíssimo maestro Seiji Yokoyama e com direito a um revival da sangrenta batalha de Ikki contra Guilty que culminou na morte de Esmeralda. O tema escolhido para o encerramento foi "Chikyuugi", canção da saga de Hades cantada originalmente pela doce Yumi Matsuzawa e interpretada na versão brasileira pela Larissa Tassi (da antiga dupla com William Kawamura e atual integrante do trio Danger3). Desta vez a canção ganhou versão própria cantada por Nando Rodrigues e Maíra Brito.

A título de nota, Nando Rodrigues foi o roteirista e diretor do fan film, além de assumir boa parte da produção independente. Sem fins lucrativos, A Lenda de Fênix foi realizada em parceria das produtoras Raciocinando Filmes, Friends Groups Entertainment e Hipnótico Filmes. Todas elas com trabalhos extensos em seus respectivos currículos.

Assista o fan film a seguir:



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

José Luiz Barbeito marcou gerações como Kuwabara


"A flor tem que ser de cerejeira. E o homem tem que ser Kuwabara!". Essa frase do maior aliado de Yusuke Urameshi, do animê Yu Yu Hakusho, é apenas um pedaço de um legado deixado por sua voz que marcou uma geração que acompanhava animês, filmes, novelas mexicanas e até produções tokusatsu.

Seu grande destaque foi em Yu Yu Hakusho, onde emprestou a voz para Kuwabara. Na mesma época fazia a voz de Dexter, do desenho O Laboratório de Dexter. Um clássico do canal pago Cartoon Network no final dos anos 90. Nas séries tokusatsu sua voz foi marcada no personagem Tetsuo Shinjoh (vivido por Shigeki Kagemaru) em Ultraman Tiga (segundo créditos de dublagem nos filmes A Odisseia Final e Os Guerreiros da Estrela da Luz). Interpretou Rito Revolto nas dublagens clássicas da terceira temporada de Mighty Morphin Power Rangers e Power Rangers Zeo. Além de participar de algumas outras temporadas da franquia. Também foi Piccodevimon na primeira série Digimon Adventure.

José Luiz Barbeito também dublou Will Smith no filme A Procura da Felicidade, Jamie Foxx no revival de Miami Vice, o saudoso Philip Seymour Hoffman em filmes como Patch Adams: O Amor é Contagioso entre tantos outros trabalhos.

Estava afastado das dublagens há alguns anos e nos últimos seis meses passou por um tratamento contra o alcoolismo. José Luiz Barbeito morreu aos 56 anos, vítima de um ataque cardíaco. Familiares, colegas de profissão e amigos de adolescência (que o ajudaram no tratamento) prestaram suas homenagens.


Kuwabara é o papel de maior referência de Barbeito nos animês

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

The Cloverfield Paradox é fraco, mas deixa pistas no ar

Os tripulantes da estação Cloverfield

A Netflix preparou uma surpresa guardada a sete chaves. Durante o intervalo da 52ª edição do evento esportivo Super Bowl, foi liberado o primeiro trailer de The Cloverfield Paradox. O que ninguém esperava era que o filme estava mais perto do que imaginávamos. O terceiro longa da franquia Cloverfield estreou na madrugada desta segunda (5) no Brasil e também nos outros países onde o canal de streaming atua. Uma jogada inédita (e esperta) da Netflix.

O primeiro filme foi lançado nos cinemas em janeiro de 2008, pela Paramount, e carregava dois conceitos: o primeiro era o estilo found footage. Espécie de documentário como A Bruxa de Blair, Distrito 9, entre outros. E o outro era o estilo de filmes kaiju. Gênero consagrado de filmes de monstros que começou com Godzilla, deu origem a outros personagens que marcaram o cinema japonês como Rodan, Gamera, Mothra etc e continua vivo na cultura pop. Na época, J.J. Abrams tinha parceria com Brian Burk na produção. Os conceitos mencionados foram abandonados a partir de março de 2016 com o segundo filme, Rua Cloverfield, 10, que tinha uma temática diferente e com terror psicológico. Assim a franquia começava a andar em caminho inverso ao Godzilla e Círculo de Fogo (ambos da Legendary Pictures) e tomava seu próprio rumo. Distanciando da sua proposta original. Abrams conta com Lindsey Weber, que substituiu Burk e segue até hoje com a produção.

O terceiro filme se passa num futuro próximo onde a humanidade sofre com a escassez de combustíveis. Afim de criar uma nova energia inesgotável, uma estação espacial é enviada em caráter especial. A jornada causa um rompimento no espaço-tempo e daí criando situações esquisitas. The Cloverfield Paradox tenta ser um filme assustador de ficção-científica, porém é cheio de clichês e não consegue ser mais do que isso. Porém, de alguma forma, consegue conectar ao filmes anteriores e até abrindo a possibilidade de acrescentar futuramente novos elementos na mitologia. O que pode render algumas respostas e também lacunas abertas (vide o que aconteceu em Lost, também de Abrams). Em parte, o filme prende atenção em alguns momentos, mas deixa a desejar em outros.

Ainda este ano, a franquia Cloverfield terá mais um filme, sendo o terceiro para as telonas. Overlord deverá servir como prólogo desta mitologia e tem previsão de estreia no Brasil para 25 de outubro.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Kamen Rider Build é uma ótima série com um anti-herói impulsivo

O secundário Kamen Rider Cross-Z

Após meses sem assistir Kamen Rider Buildtirei uns dias pra maratonar episódios atrasados e ficar em dia. Indiscutivelmente essa é uma das melhores séries da franquia. A trama é muito bem construída (sem trocadilho) e é escrita por Shogo Muto, que por sinal, é seu primeiro trabalho com tokusatsu. Além de direção de Ryuta Takasi, que já esteve envolvido em algumas séries Kamen Rider e também Super Sentai.

Se você está acompanhando, provavelmente você viu várias reviravoltas durante a trama. Só pra destacar: as revelações sobre a verdadeira identidade de Blood Stalk (um dos grandes vilões dos últimos tempos) e sobre o passado de Sento Kiryu foram pontos-chave para tudo o que vem acontecendo até aqui. Kamen Rider Build tem bastante coisa pra comentar e não daria um post inteiro.

Como toda boa produção, nem tudo é perfeito e como em praticamente toda série Kamen Rider, tem um anti-herói esquentadinho. Nesta série temos Ryuga Banjou, acusado de ter matado Takumi Katsuragi, o cientista (do diabo) que criou o Rider System. Bem como o Build Driver e outros apetrechos usados no enredo. Desde o primeiro episódio, Ryuga se mostra um personagem à altura e não tem como não se deixar apegar a ele. Ainda mais pelo fato de Ryuga ter perdido sua noiva após ter sido transformada num Smash e ser derrotada por Build em seguida. Demorou alguns episódios para Ryuga se transformar no Kamen Rider Cross-Z (lê-se: "cross", com Z mudo). De lá pra cá vemos um herói impulsivo e que não mede as consequências quando seu foco é apenas obter mais poder e vingar a morte de sua noiva. Isso não vem sendo ruim para a trama, pois ele não perde o carisma e seu lado humano.

Bem, mais cedo ou mais tarde essa atitude pode prejudicar algum personagem e talvez mudar o rumo das coisas. Seja para o bem ou para o mal. Provavelmente lá para a reta final da série, como aconteceu com Hiiro Kagami/Kamen Rider Brave em Kamen Rider Ex-AidEssas expectativas podem fazer com que Ryuga seja um personagem bem mais interessante do que agora.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Freeza deixa má intenção à vista e tenta bancar o Dr. Smith em Dragon Ball Super

Freeza tentando bancar o inocente com Gohan (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

Convidar um antigo inimigo para se aliar a um time de um Torneio é algo bastante arriscado e requer uma atenção redobrada. E o time do Sétimo Universo precisa ter muito cuidado. Principalmente Goku que teve a ideia. No começo pareceu improvável, mas com o tempo Freeza foi se mostrando aliado forte nas batalhas.

Porém deu umas escorregadas. Não escondeu que ele tem más intenções. Já comentei aqui neste blog sobre algumas ocasiões onde ele poderia "se dar bem" e se mostrou do lado de Goku e cia. Pode ser um blefe? Sim, e mais uma vez Freeza deixou claro que pode ser um terrível inimigo. No episódio deste domingo (21) ele tentou negociar uma aliança com Dyspo onde o vilão fosse ressuscitado pelas Esferas do Dragão, caso o Décimo Primeiro Universo fosse vencedor. Muito esperto, Dyspo recusou a oferta.

Já disse uma vez nesta coluna: Freeza pode estar tramando um grande plano para sabotar o Torneio. Como todos ouviram (não sei como conseguem naquela distância), ele já perdeu a confiança de todos do Sétimo Universo. Impossível não dizer que ficará inquieto após o Torneio. Bem, será que o Goku tem algum plano para detê-lo? Tudo é possível.

E minha impressão no episódio da semana foi de que Freeza tentou bancar como Dr. Smith da série clássica de ficção científica Perdidos no Espaço, de Irwin Allen. Por um momento ele tentou disfarçar a sua tentativa com a chegada de Gohan praticamente no mesmo estilo "malandro". Só que a diferença é que o filho de Goku não é nada bobo como era o menino Will Robinson e não se deixou levar pelo charlatão.  Problema resolvido (mesmo com o sacrifício de Gohan na arena). Pra quem não conhece, Dr. Smith era um vilão que acompanhava involuntariamente a Família Robinson na frustrada missão espacial pela nave Júpiter 2. Personagem do saudoso Jonathan Harris, ele tentava trair os Robinson. Ainda assim foi um personagem marcante e carismático para quem viveu os anos 60 e 70.

Sobre o final de Dragon Ball Super, acredito que seja um hiato, por enquanto. Assim como foi com Dragon Ball Kai. Não creio que haja mudança de horário, pois a lista de episódios da coletânea em home-video da série foi um indício. Consta um episódio a mais no último volume. A partir de abril começa a sexta encarnação de GeGeGe no Kitarô na mesma faixa dominical da Fuji TV. A primeira série da franquia do falecido mangaká Shigeru Mizuki completou 50 anos da estreia da primeira série animada na TV japonesa.


O icônico Dr. Smith da série Perdidos no Espaço

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Godzilla retorna impetuosamente em trilogia animada

O novo animê do Rei dos Monstros (Foto: Divulgação/Netflix)

Com divulgação quase em cima da hora - para a nossa surpresa - a Netflix lançou a primeira parte da trilogia Godzilla: Planet of the Monsters (ou Gojira: Kaiju Wakusei) nesta quarta (17) para todos os assinantes do canal de streaming em mais de 190 países. Foram exatamente dois meses de espera desde o lançamento nos cinemas japoneses em 17 de novembro do ano passado. Esta é mais uma produção do estúdio Toho em parceria com a produtora Polygon Pictures. A mesma de animês com o selo de exclusividade Netflix como Knights of Sidonia, Ajin: Demi-Human e Blame!.

Ao invés de um kaiju que protege a humanidade, esta história mostra um Godzilla muito mais devastador e impetuoso do que nunca. Ou melhor, se tornou dono da Terra através da maior catástrofe já causada na veterana franquia. O primeiro ataque começou no final do século XX. O que obrigou os humanos a abandonarem a Terra. Vinte mil anos depois a humanidade retorna ao planeta sob o comando do capitão Haruo Sasaki, que está disposto a retomar a Terra do Rei dos Monstros. O salto no tempo se deve à uma viagem interdimensional. Uma saída que ajudou a abreviar a jornada depois da fracassada busca por um lugar habitável como a antiga Terra. Sasaki tem contas a acertar com Godzilla. É que seus pais foram vítimas do monstro quando tinha apenas quatro anos de idade.

A primeira parte serve de introdução. Sendo a primeira metade deste episódio carregada de muito diálogo e pouca dinâmica. Nenhum problema, já que faz parte de narrativa bem formulada que explora o histórico da destruição ao mesmo tempo em que os humanos procuram um meio de destruir Godzilla. O ritmo é compensado com muita ação na segunda metade.

Gen Urobuchi (de Kamen Rider Gaim e Madoka Magica) está a cargo da ideia original e do roteiro deste novo Godzilla. A produção conta com dois nomes da direção: o primeiro é Hiroyuki Seshita (de Ajin e Knights of Sidonia) e Kobun Shizuno (de Detetive Conan e Hokuto no Ken). Para interpretar Haruo Sasaki, o elenco conta com o excelente Mamoru Miyano (a inconfundível voz de Ultraman Zero).

O segundo episódio desta saga está marcada para maio deste ano no Japão e deve seguir o padrão de distribuição com poucos meses de atraso via Netflix. Está garantida uma versão do Mechagodzilla na sequencia.

Godzilla: Planet of the Monsters prepara o terreno para a volta do Rei dos Monstros nas telonas em 2019 e 2020. Duas sequencias da franquia MonsterVerse, da Legendary Pictures, onde Godzilla e King Kong irão se encontrar. Até lá a Toho não irá produzir nenhum filme tokusatsu do kaiju. É hora de aproveitarmos este novo e apocalíptico universo que nos apresenta um Godzilla visualmente parecido com aquele que conhecemos em 2014.

E se você é daqueles que dispensa créditos finais, há uma cena extra logo em seguida. Não perca.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Vanishing Line é a melhor série da franquia Garo

Os personagens centrais da série animada (Foto: Divulgação)

Para a surpresa dos fãs da franquia do Cavaleiro Makai, a série animada Garo: Vanishing Line foi lançada no Brasil em meados de novembro pela Crunchyroll. Isso graças a sua parceria com a Funimation, outro canal de streaming que opera na América do Norte. Este é o terceiro título da franquia a vir para cá. Os filmes tokusatsu Garo: Red Requiem e Garo Gaiden: Flauta Secreta estão disponíveis via Netflix e são licenciados pela Sato Company (veja mais aqui). Até o momento foram exibidos 12 episódios de Garo: Vanishing Line na TV japonesa e o próximo tem previsão para ir ao ar nesta sexta, 12 de janeiro.

Diferente das duas animações anteriores Garo: The Animation (de 2014) e Garo: Crimson Moon (de 2015) que se passavam em eras antigas (inquisição espanhola e era imperial japonesa Heian, respectivamente), esta nova trama se passa nos dias atuais na fictícia Russel City. A cidade americana (baseada em Nova Iorque) ocupa secretamente um cenário de conspiração. Para combater o mal que domina a cidade sem a percepção dos cidadãos, Sword, um cavaleiro Makai, entra em ação para deter os ataques dos diabólicos Horrors ao vestir sua armadura dourada e assumir o codinome Garo. Sword encontra uma única pista sobre os Horrors: Eldorado. É a partir daí que sua missão toma um outro rumo ao encontrar a garota Sophie que também está atrás da mesma pista que pode ter relação com o desaparecimento de seu irmão.

Junto com Sword estão o seu inseparável anel mágico Zaruba, o amargurado alquimista Makai chamado Luke e a formosa guerreira Gina. Zaruba (leia na proparoxítona) serve como conselheiro de Sword e é capaz de captar a presença de Horrors. Porém não possui ligação com as outras versões do universo original da saga em tokusatsu.

Gina, a alquimista Makai
Já Luke é mais sensato que Sword e, apesar da boa parceria com o cavaleiro Makai, está quase sempre em desacordo com ele. É que Luke desaprova o envolvimento de humanos nestas missões sobrenaturais. Além de ser perito em armamentos de fogo, munições especiais e ainda poder apagar a memória das pessoas que viram Horrors, Luke carrega um terrível trauma de infância.

E Gina é uma ladra profissional e também alquimista Makai que trabalha eventualmente ao lado de Sword. Apesar de manter uma aparência de uma mulher manipuladora, esconde seus sentimentos pelo cavaleiro. É dona de uma formosura que chama atenção de Sword, que tem uma estranha reverência às "comissões de frente" de qualquer mulher de sua idade. Porém Gina carrega o bichinho Mia que se esconde em seus próprios seios e ataca Sword quando tenta assediá-la.

Em comparação com as séries tokusatsu, Garo: Vanishing Line consegue equilibrar a densidade da luta contra os Horrors com um pouco de alívio cômico, protagonizado pelo próprio Sword em sua tentativa de conquistar alguma mulher. A série tenta não apelar e consegue formar um elo consistente entre o herói e a adolescente Sophie. Uma relação entre irmãos. Após episódios iniciais isolados, a trama apresenta sua rota de fuga (sem trocadilhos) com a aparição dos vilões Horrors que escondem o segredo do tal Eldorado. A trama é envolvente e provavelmente é a melhor série de Garo até aqui. Mesmo não tendo o mesmo peso sombrio das demais produções da franquia, é ótima para assistir tarde da noite e assistir de uma vez em poucas sentadas. Porém não é uma produção tão leve.

Destaque para o JAM Project que mais uma vez bate ponto interpretando tema de abertura. Desta vez com a música "EMG". Curiosamente Masami Okui, a única mulher a integrar a banda, interpreta a belíssima canção "Sophia". Tema de encerramento do animê. E como não poderia ser diferente, Hironobu Kageyama, cantor de várias séries japonesas como Changeman, Maskman, Jetman, Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, empresta mais uma vez sua voz ao anel Zaruba.

Se seguir o padrão das demais séries animadas, Garo: Vanishing Line irá fechar aos 24 episódios. Ainda estão previstos para o próximo cour (trimestre) a entrada dos novos temas de abertura e encerramento. "HOWLING SWORD" por Shuhei Kita e "Promise" por Chihiro Yonekura. Os próximos episódios prometem muitas surpresas com o desenrolar do mistério de Eldorado. Ótima série para quem ainda não acompanhou ou não assistiu a nenhuma das séries live action e animadas.

Garo: Vanishing Line é exibido no Brasil via Crunchyroll sempre com um novo episódios às sextas-feiras a partir das 16h23.